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Ouse sonhar!


Há dois livros de autores nacionais no mercado editorial evangélico que discorrem sobre o bordão “Ouse sonhar” e o emprego da autoajuda pelo cristão, cujas abordagens se contrapõem.

O primeiro, de autoria do conhecido pastor Marco Feliciano, tem como título Ouse Sonhar — como usar as derrotas do passado para construir seu caminho para o sucesso, lançado recentemente pela editora Thomas Nelson Brasil. Essa editora reúne autores best-sellers como John C. Maxwell, Max Lucado, Augusto Cury, William Douglas, Silas Malafaia e Edir Macedo.

Segundo Feliciano, “
O livro lançado pela editora TNB é diferente de todos os que foram lançados até hoje. Os outros livros atinham-se à vida cristã somente. Embora a leitura fortalecesse o espírito, muitas vezes a pessoa carecia de exemplo. Ouse Sonhar é leitura obrigatória para quem deseja viver a plenitude de Deus em sua vida”.

Decidi que lutaria para vencer o preconceito e as dificuldades do meio social no qual nasci”, diz o aludido pastor no e-mail que me enviou para divulgar o livro. “Deus nos deu essa capacidade de fazer coisas, mas não há como efetivar nossos sonhos nutrindo amarguras. A nossa maior revolução é ter descoberto que, ao mudar as atitudes internas, podemos modificar aspectos que parecem imutáveis nas nossas vidas”, conclui.

O segundo livro que discorre sobre o bordão supramencionado e a autorajuda no meio evangélico é Erros que os Adoradores Devem Evitar, lançado pela CPAD há cerca de um mês.

“Ouse sonhar!

Existe uma tendência, hoje, de se pensar que todo e qualquer sonho (projeto) que um cristão possui provém do Senhor. Mas não é isso que a Palavra de Deus afirma. Pelo contrário, ela diz que enganoso é o coração (Jr 17.9). E isso vale também para o coração do salvo, pois a salvação não tira do ser humano, em definitivo, a sua inclinação natural para o mal (Rm 7.19,20). A obra salvífica, no presente, implica libertação do poder do pecado, e não da presença do pecado. (...)

Em nossos dias, temos visto — por conta do sucesso e da influência dos palestrantes e livros de autoajuda —, líderes, pregadores, cantores e crentes em geral confundindo os seus sonhos (projetos) com a vontade de Deus, como se os tais projetos e aspirações fossem implantados, injetados pelo Senhor, dentro de cada cristão. Pregadores e compositores têm dito ao povo: “Ouse sonhar! Você não morrerá antes que os sonhos de Deus se cumpram”, ou “Ouse sonhar! Os sonhos de Deus jamais vão morrer”, ou ainda: “Ouse sonhar! Não há limites para um sonhador”. No entanto, essas afirmações não resistem a uma análise bíblica.

Pregações e composições sobre os “sonhos de Deus” são exposições cristocêntricas às avessas. Por quê? Porque, numa explanação sobre Cristo e sua obra, assevera-se: “O Senhor Jesus salva! Ele cura, liberta, batiza com o Espírito! O nome de Jesus tem poder”. Mas, como é a exposição antropocêntrica, pregada ou cantada? “Você é um sonhador! Não há limites para você! Ouse sonhar! Você pode alcançar o que quiser! Sonhe os sonhos de Deus. Você é um vencedor! Suba, como Zaqueu, o mais alto que você puder. E a sua vitória terá sabor de mel”.

O Senhor disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (Jo 6.51). E a Palavra de Deus afirma que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto (Tg 1.17). Mas a mensagem antropocêntrica prioriza a autoajuda, em detrimento da Ajuda do Alto. Ela visa a despertar nas pessoas o interesse pelo grande potencial que supostamente há dentro delas, ignorando que em nós, em nossa carne, não habita bem algum (Rm 7.18).

Não é pecado sonhar, no sentido de ter projetos. Mas nem sempre os nossos sonhos como projetos, aspirações, desejos, planos, ambições, estão de acordo com a vontade de Deus. O que está escrito em Provérbios 16.1 e 19.21 acerca dos projetos ou sonhos? “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor a resposta da boca”. “Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá”. Em outras palavras, sonhamos, projetamos, desejamos... E o Senhor dirige a nossa vida.”

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

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