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Parece que todos os caminhos trilham para a gente se ver, e todas as trilhas caminham pra gente se achar. Mas caso eu esteja iludido, serei ambicioso o bastante para caminhar todas as trilhas e trilhar todos os caminhos para te amar. É incontestável que tudo se resume nisto, em simplesmente te amar.

Você está em mim, e essa é minha impertinência. Você se encontra em todos os caminhos dos meus pensamentos, em cada esquina das minhas lucubrações. Se voltar no fundo do meu passado, lá está você inocentemente me atraindo para seus braços com todo o aroma da nostalgia. Se viajar para o futuro, também te encontro, obscenamente linda, aperfeiçoando todas as minhas fantasias. E se resolvo permanecer no presente sou abraçado pela saudade que sem piedade parece se personificar ocasionalmente.

A distância pode até ser nosso remédio, mas não é a nossa cura. É tarde demais para que uma simples distância possa-me fazer te esquecer. Eu tomei uma decisão; se eu te esquecer, não vai ser por algum tipo de esforço próprio. Abandonei a ideia de me esforçar para te esquecer. Você é minha obsessão, minha musa, minha inspiração, minha nega. Você é meu verão, meu sol, meu sorriso. Você é meu inverno, minha sombra, minhas lágrimas. Não me cansarei de me expor a você, e é só por você que assim faço, pois só você entende de fato minha altivez e tropeços, minhas falhas e angustias.

É em você que encontrei o verdadeiro sentido de fazer amor, pois todos os limites se romperam. Compreendo que você é minha de corpo e alma, e eu, serei sempre seu servo, seu homem, sua criança. É sempre de mim que lembrará quando chover, quando tomar açaí, quando ler um bom livro, quando for à academia, quando ir à igreja, quando pensar em ser politica, quando ver um anime, quando fizer um bolo de chocolate, etc.

É suficientemente belo o fato de estarmos emaranhados um ao outro ao ponto de misteriosamente prevermos o que o outro está sentindo no exato momento. Sua felicidade longe de mim será o meu calvário, e minha alegria em sua ausência será o seu tormento, e isso porque somos o combustível um do outro. Você sente a necessidade de dizer e ouvir que te amo, que você faz falta, e essas declarações é a brisa que mantem as brasas queimando, e o toque é a força propulsora que faz o motor da nossa alma girar, gerando assim energia, beleza e o encanto inefável que transcende o campo da pretexto.

Quer que eu te esqueça? Ensine-me e assim farei. Quer que eu te ame? Estenda-me a mão e eu começarei por beija-la. Talvez um dia cultive um sentimento só de amizade por você, mas, enquanto não encontrar a semente para plantar esse anseio, me entregarei a você sempre. Não desperdiçarei mais energia para te esquecer, seria como nadar contra a correnteza, e o melhor a fazer nessas ocasiões é seguir com a maré, pois caso contrário, estarei desperdiçando vida. Nadar contra o amor é escolher a não-vida. Apesar de todas as complicações e embaraços, entendi que a distância gera em nós mais a união do que o afastamento em si. A distância promove em nós o respeito e o forte desejo de ser um só, sentimento esse que não se desenvolve em outro momento.

Enfim, quero dizer que te amo, e que não haverá barreiras pra eu não dizer isso. Vamos celebrar o amor, e essa percepção viva em nós dois. Vamos se entregar sem medo, sem limites, sem pudor, sem receios, pois o que está em nós não pode ser preso, amarrado, ou se quer ser reprimido. Venha e deixe-me sentir o doce da sua saliva, a suavidade do seu perfume e que com o meu corpo eu venha absorver o seu suor. Que o amor seja soberano, mesmo que não dure, mesmo que efêmero. Que o amor arranque os pés do chão, que nos faça levitar, sonhar, querer. Venha e deixe nossos corpos se perderem, e prometo que o mundo vai parar nesse momento, e celebraremos o infinito num instante, para ver o amor acontecer. Que cada pensamento venha ser existênciazado em toques, em fragrâncias, em lençóis, em suor, em hálito. Vamos comemorar, e que seja pra sempre, e que fique mesmo que passe, e que deixe raízes para brotar algo novo. Venha e me ame, sem culpa, o máximo que se puder, até que o corpo não aguente, e caia extenuado de prazer, e de tanto amar.

Lindiberg de Oliveira


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